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Runas ancestrais vikings dizem "Beije-me"

Uma escrita Viking de 900 anos começou a ser desvendada por estudiosos da Universidade de Oslo, na Noruega. O pesquisador K. Jonas Norby, PhD em runas, conseguiu desvendas a chave para traduzir o chamado código jötunvillur, um tipo de runa que pode ser encontrada em mais de 80 inscrições nórdicas ancestrais. Ele conseguiu começar a traduzir as peças depois de descobrir um pedaço de madeira do séc XIII em que dois homens escreveram seus nomes nas runas tradicionais e em código jötunvillur.
Mas o pesquisador não descobriu mensagens sábias e enigmáticas que iriam mudar a humanidade, não. Norby revelou que ele realmente não esperava nada assim, já que as mensagens em runas costumam mesmo ser rotineiras - rolam até provocações desafiando os leitores a compreenderem o código. Uma delas, inclusive, é um recado dizendo "Beije-me".

Norby disse ao site Science Nordic que, naquela época, a maioria das pessoas que sabia escrever e ler o alfabeto rúnico provavelmente também sabia algum tipo de código - como o jötunvillur - e elas eram muito comuns. Pra ficar claro, o jötunvillur consiste em trocar a runa original pelo último som do nome da runa em si. Em comparação, é uma lógica parecida com a língua do pê. Os vikings escreviam as runas e os códigos não apenas pra comunicar mensagens importantes, mas também como um passatempo, uma brincadeira (bem como a língua do pê), tanto que muitas mensagens consistem no próprio autor das runas se orgulhando sobre sua habilidade com elas.


Desconstruindo o lar dos vikings

A partir de Svolvaer, no coração do arquipélago de Lofoten, a brincadeira consiste em explorar de bote seus admiráveis canais e conhecer de perto costumes dos filhos de Thor.

Criada ao redor da pesca do bacalhau, Svolvaer tem clima de cidade pequena, mas se esforça para parecer cosmopolita. Em meio a paisagens rurais e o jeitão desconfiado do povo, que ainda está se acostumando ao crescente número de turistas, a cidade guarda um centro repleto de lojas, além de restaurantes e bares refinados.

Svolvaer é o coração do arquipélago de Lofoten, conhecido por seus belos fiordes. Não por acaso, portanto, o passeio clássico por ali é desbravar os canais próximos em um speedboat, bote dotado de motores potentes. A paisagem, refletida nas águas plácidas, é deslumbrante, mas vá preparado: cachecol e touca são fundamentais para aguentar o vento frio do mar norueguês, mesmo nos dias mais ensolarados.

Na volta, um bom lugar para recarregar as energias é o Bacalao (bacalaobar.no), um charmoso barzinho à beira do cais, cujas mesinhas ao ar livre são disputadíssimas no verão. A casa é conhecida por seu viés artístico e programação musical de qualidade. Não precisa nem dizer que as porções de pescados e frutos do mar vêm conduzidas com primor.

Vizinhança. A 40 minutos de Svolvaer está Bostad, outra das cidades que compõem o arquipélago de Lofoten. E é ali que boa parte de seus mitos sobre os vikings cairão por terra. Para isso, basta uma visita ao Lofotr Viking Museum (lofotr.no).

Capacetes com chifres, como o do empolgado turista da foto abaixo, não existiam naqueles tempos. Aliás, o povo que pôs medo ao Império Romano ia para as batalhas sem capacete, como explica o filme exibido logo na entrada. Mas, à exemplo de seu deus Thor, agora famoso pelos filmes de Hollywood, o martelo era a arma favorita desses exímios navegadores.

A ideia de criar o museu surgiu após a descoberta, nos anos 1980, de resquícios de uma casa viking do século 9.º A moradia foi reproduzida, na íntegra, ao lado da área da descoberta. No tour guiado pelos objetos encontrados na escavação - há versões em inglês, italiano e espanhol - descobre-se, por exemplo, que um copo de vidro custava cerca de 2.500 cabras.

O local mantém um restaurante que serve um jantar tradicional viking, com atores-garçons interpretando uma família real da época. O menu custa desde 668 coroas norueguesas (R$ 248) por pessoa.

Fonte: http://www.estadao.com.br/